André
Almeida
"O primeiro momento para
adquirir um conhecimento do qual se desconhece é tomar consciência de seu
desconhecimento"
Um
dos problemas que os educadores do século XXI estão enfrentando é a constante
transformação da educação. Essas mudanças muitas vezes estão relacionadas a
questões tecnológicas e do mundo do trabalho. Com isso, uma frase é
constantemente repetida, “tudo muda, menos a escola”. Mas a verdade é que a
educação tem passado por alterações significativas em várias áreas. E um dos
conceitos que tentam descrever essa nova condição do processo de ensino e
aprendizagem é o de competências e habilidades.
Alguns
dos problemas encontrados na categoria de competências
e habilidades é que para uma parcela
dos educadores ainda não está bem “claro” em que local se inicia uma e em que
momento começa a outra. Diante desse contexto, não são poucos os educadores que
acabam por confundir no momento de tentar definir o que são competências e o que são habilidades. É nesse contexto, que
precisamos entender que se não sabemos o que essas categorias querem expressar,
como vamos saber se no processo de ensino-aprendizagem nossos estudantes
realmente estão aprendendo? Se entendemos o processo de aprendizagem como uma
mudança de postura no aspecto “cotidiano” como saber se a escola está cumprindo
seu papel se não conseguimos identificar quais são as competências e habilidades
que os estudantes precisam adquirir ao longo da caminhada? É um problema muito
sério quando em cursos de formação continuada as palavras competências e
habilidades são utilizadas como se os trabalhadores/as em educação básica já
dominassem e tivessem internalizado em suas posturas dentro e fora da sala de
aula. Com medo de perguntar algo que para muitos é do senso comum[1]do
campo da educação, uma parcela dos coordenadores/as, professores/as continuam
sem saber identificar tais categorias.
Em
uma sociedade que cobra constantemente que o coordenador (a), professor/a
precisam saber e que o não saber é uma “falta grave”, apenas alguns educadores
como Paulo Freire, em sua obra Pedagogia do Oprimido, deram uma resposta “positiva” pelo
fato do coordenador (a), professor(a), não ter conhecimento de um determinado
conteúdo. Para Freire, ninguém sabe tudo e ninguém ignora tudo. Todos nós
sabemos algo e todos nós ignoramos algo. É na relação dos estudantes com o mundo
e com outros seres humanos que ele se constroem e se reconstrói. Ao mudar a
natureza que esta fora de si o “homem” e a “mulher” modifica a sua própria
natureza enquanto ser humano. Então, não saber o que são competências e habilidades
não pode ser um obstáculo para coordenadores/as professores/as, mas a APLB-Sindicato compreende esse momento
como uma possibilidade em que o não saber pode se tornar em saber. Em outras
palavras, o primeiro momento para adquirir um conhecimento do qual se
desconhece é tomar consciência de seu desconhecimento.
Foi
no contexto acima, que postamos no blog da APLB-Sindicato,
o texto escrito por Jorge Cascardo,
especialista em Neurociência e que elucida com muita propriedade as diferenças
e definições entre os dois termos. Com isso, acreditamos que após a leitura do "artigo", o coordenador(a), professor(a), possa identificar se os estudantes tem ou não competências e habilidades
dentro de um determinado contexto social. Esperamos contribuir para o
entendimento daquilo que compreendemos como processo de ensino aprendizagem, dessa forma o trabalhador em educação melhore ou ajude a melhorar a escola pública de nosso país. Fazendo das
palavras de Malcolm – X as nossas
defendemos que:
“A educação é o nosso passaporte para o futuro, pois, o amanhã
pertence as pessoas que se preparam hoje”
(Malcolm – X)
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NO
ENSINO: O QUE SÃO E COMO APLICÁ-LAS?
Uma preocupação relevante hoje na educação é como ensinar e como avaliar considerando as competências e habilidades. Essa questão está sendo cada vez mais discutida, em um esforço para que o processo de aprendizagem seja menos conteudista e mais focado no desenvolvimento e preparação dos alunos para os desafios do mundo atual.
Nesse sentido, a Base Nacional ComumCurricular (BNCC), consiste um exemplo da preocupação em relação ao assunto porque
o documento é estruturado a partir das competências e habilidades que devem ser
desenvolvidas na educação básica. Além disso, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), também é um exemplo da relevância de se pensar em um processo
pedagógico baseado em competências e habilidades. Isso porque o Exame tem como
orientadora uma Matriz de Referência com descritores das competências e
habilidades.
Normalmente, as discussões, as
orientações e os estudos sobre os dois termos são pautados pela preocupação de
suprir dificuldades e conhecimentos relacionados a essa Matriz. Isso é
extremamente relevante, mas é necessário pensar em competências e habilidades
para além dessa única orientação.
Mario Sergio Cortella responde: Qual a relação entre afetividade, vínculo e aprendizagem?
As definições dos dois termos já abrem
diversas indagações e dúvidas, mostrando que são temas que devem ser estudados
de forma contínua e constante para uma maior compreensão, para um maior
esclarecimento e para a utilização concreta do desenvolvimento de competências
e habilidades em todos os segmentos da educação. Uma leitura detalhada da Base
revela essa preocupação.
Para auxiliar nos estudos contínuos dos
temas, preparamos este artigo. Você vai ler sobre os conceitos de cada um
desses termos e por que eles devem ser considerados no contexto escolar.
O QUE SÃO COMPETÊNCIAS?
O Dicionário Aurélio apresenta três
definições para Competência:
1. Faculdade
concedida por lei a um funcionário, juiz ou tribunal para apreciar e julgar
certos pleitos ou questões.
2. Qualidade
de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa;
capacidade, habilidade, aptidão, idoneidade.
3. Oposição,
conflito, luta.
Vamos nos ater à segunda, que é
pertinente à educação. Note que Competência é uma qualidade de apreciar e
resolver um problema, envolvendo a sua capacidade, habilidade, aptidão e
idoneidade. Indivíduos competentes, dentro das mais variadas atividades
profissionais, tendem a ser bem-sucedidos.
Na sociedade atual, as competências são
essenciais para que o indivíduo tenha sucesso em sua vida social e na carreira.
A forma de conduzir suas relações, responsabilidades e profissão são
determinadas por sua capacidade de a cada dia conviver e resolver as situações
cotidianas, cujos resultados são totalmente dependentes da forma com que os
seus problemas são solucionados. O mercado de trabalho necessita de pessoas
capazes de:
• tomar
decisões;
• liderar;
• resolver
conflitos;
• utilizar
conhecimentos adquiridos ao longo do processo acadêmico.
O professor Vasco Moretto, doutor em
didática pela Universidade Laval de Quebec, Canadá, destaca um ponto
fundamental em relação à Competência:
"Competência não se alcança,
desenvolve-se. Competência é fazer bem o que nos propomos a fazer"
De maneira resumida, podemos dizer que
as competências no contexto educacional dizem respeito à capacidade do aluno de
mobilizar recursos visando a abordar e resolver uma situação complexa.
Simplificando bem, é o aluno saber saber ou saber
conhecer.
COMPETÊNCIA VERSUS
DESEMPENHO
A confusão feita entre as definições de competência e desempenho acaba gerando problemas no processo de ensino e aprendizagem.
O desempenho pode ser definido como um
indicador da competência, ou seja, serve para orientar professores e gestores
se os alunos estão desenvolvendo as competências. Entretanto, é importante ter
em mente que desempenho fraco não é, necessariamente, sinônimo de falta de
competência. Nesse caso, o desempenho fraco pode ser motivado por diferentes
fatores como, por exemplo, o cansaço físico e mental do aluno no momento da
avaliação e a quantidade de horas que dormiu ou deixou de dormir no dia
anterior à avaliação.
Assim, para avaliar se os alunos estão
desenvolvendo de fato as competências, é importante avaliar periodicamente seu
desempenho e realizar as intervenções pedagógicas sempre que necessário.
O QUE SÃO HABILIDADES?
Considerando um caso bem simples sobre
habilidades: um indivíduo nas séries iniciais vai aprender a ler e a escrever.
Quando ele domina esse processo, podemos falar que ele apresenta as habilidades
de ler e escrever. O importante é que com essas habilidades ele alcance a
compreensão de um texto a partir de sua leitura. Sendo assim, caso ele domine a
escrita e a leitura, mas não consiga compreender os textos, ele não será
competente para esse domínio.
A partir desse exemplo e da explicação
do conceito de competência no contexto educacional, podemos definir a
habilidade como a aplicação prática de uma determinada competência para
resolver uma situação complexa.
Simplificando bem, é o aluno saber fazer.
• Compreender
a situação complexa: Identificar variáveis endógenas e exógenas; relacionar
elementos relevantes; comparar com concepções prévias; etc;
• Planejar
a abordagem e solução: Visualizar possíveis métodos para solução; selecionar
estratégias e recursos que serão usados;
• Executar
o planejamento: Executar o planejado, com o foco no modelo pedagógico da
reflexão-na-ação;
• Analisar
criticamente a solução encontrada: Fazer a crítica da solução encontrada;
comparar com experiências anteriores; imaginar alternativas.
COMO RELACIONAR COMPETÊNCIAS E HABILIDADES?
Ainda segundo o professor Vasco Moretto, destaca-se
que:
"As habilidades estão associadas ao saber fazer: ação
física ou mental que indica a capacidade adquirida. Assim, identificar
variáveis, compreender fenômenos, relacionar informações, analisar
situações-problema, sintetizar, julgar, correlacionar e manipular são exemplos
de habilidades.
Já as competências são um conjunto de habilidades
harmonicamente desenvolvidas e que caracterizam por exemplo uma
função/profissão específica: ser arquiteto, médico ou professor de química. As
habilidades devem ser desenvolvidas na busca das competências"
Uma outra explicação para mostrar a
relação prática entre competências e habilidades pode ser feita a partir da
leitura de um gráfico. O leitor deve ter capacidade de observar as informações
contidas no mesmo, que serão associadas a conhecimentos desenvolvidos ao longo
do aprendizado, para que consiga ter uma compreensão que será utilizada para
solução de uma situação problema. Note que há conteúdos e habilidades
envolvidos, “informação e conhecimento”, para resolver o que foi proposto com
competência.
Em algumas situações, existe a
preocupação de que o ensino-aprendizagem por habilidades e competências possa
prejudicar o desenvolvimento dos conteúdos da disciplina. Esse raciocínio não
se aplica, já que a proposta é conseguir fazer com que o aluno tenha
competência para aprender.
Sendo assim, é necessário que, junto com
os conteúdos, sejam criadas situações para o desenvolvimento de habilidades.
É importante ressaltar que um aluno, ao desenvolver
competências e habilidades seguindo orientações de um educador, vai aprender a
usá-las de maneira adequada e conveniente.
Por exemplo: em uma aula de educação
física o aluno vai aprender as regras de um esporte e como fazer para
obedecê-las, para depois colocá-las em prática da maneira correta. Esse
comportamento de ser competente (saber saber), mas também ter habilidade (saber
fazer), deve ser desenvolvido em todas as áreas de conhecimento.
“APRENDER É CONSTRUIR
SIGNIFICADOS. ENSINAR É OPORTUNIZAR ESTA CONSTRUÇÃO.”
Por
que trabalhar por competências e habilidades na escola?
Nós vivemos hoje na era da tecnologia e da informação. Nunca se produziu e se consumiu tanto conteúdo na história da
humanidade, em todos os níveis e áreas da sociedade. Isso se deve à facilidade
que temos em acessar essas informações e conteúdos, principalmente depois do
surgimento e da expansão da internet.
Nesse cenário, a escola teve que (ou deve) mudar seu
posicionamento. Antes dessa revolução da informação em nossa sociedade, a
escola era tida como responsável pela disseminação de conteúdos. Isso já não
faz mais sentido, uma vez que os alunos têm acesso aos conteúdos independente
da escola, podendo ainda, visualizá-los e consumi-los na quantidade, velocidade
e momento que desejarem.
Portanto, a escola deve focar seu trabalho em
competências e habilidades para preparar o jovem para lidar com situações de
seu cotidiano e ser capaz de resolver problemas reais. Essa postura demonstra
ainda alinhamento com as tendências educacionais que enfatizam a importância de
colocar o aluno como protagonista, sendo um agente ativo em seu processo de
ensino e aprendizagem, por meio, por exemplo, de atividades educativas extraclasse.
Além desses pontos, não podemos deixar de mencionar
o fato de que as provas do ENEM e do Saeb são orientadas por Matrizes de Referências
com competências e habilidades, no primeiro caso, e competências, habilidades e
descritores, no segundo.
Dessa forma, as escolas que trabalham com a proposta
de ensinar os alunos a entender e solucionar os problemas a sua volta, além de
formar estudantes mais preparados para lidar com os desafios da vida, estarão
também preparando-os para ter um bom desempenho no ENEM.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) determina as
aprendizagens essenciais para a formação do aluno por meio de competências e
habilidades. Entenda melhor a estrutura da BNCC baixando o infográfico abaixo:
A seguir Link para o documento da BNCC: Como o documento da BNCC é estruturado? Como cada ciclo é organizado?
Site do MEC sobre BNCC/Link a seguir:
1) Base Nacional Comum Curricular - BNCC
2) BNCC - Base Nacional Comum Currícular
Curso ofertado pela revista Nova Escola sobre Competências e habilidades. link para o curso: Conhecendo as 10 competências.
Para saber mais o site da revista Nova Escola sobre a BNCC. Link para as matérias do site: Competências Gerais
Site do MEC sobre BNCC/Link a seguir:
1) Base Nacional Comum Curricular - BNCC
2) BNCC - Base Nacional Comum Currícular
Quero saber mais? Click no
link abaixo:
Curso ofertado pela revista Nova Escola sobre Competências e habilidades. link para o curso: Conhecendo as 10 competências.
Para saber mais o site da revista Nova Escola sobre a BNCC. Link para as matérias do site: Competências Gerais
[1] Senso comum: no sentido usado no texto se refere a um conhecimento do
conhecimento de todos/as de a uma determinada área de conhecimento ou campo.






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