Teixeira
de Freitas (BA) – Na tarde de quinta-feira (21/05), representantes do Conselho
de Alimentação Escolar (CAE) realizaram visita de acompanhamento e
fiscalização ao Departamento de Merenda Escolar da Prefeitura Municipal de
Teixeira de Freitas, localizado na Avenida Marechal Hermes da Fonseca, nº
609, bairro Ipiranga.
Foto 1 – Tomates impróprios para consumo. Caixa de tomates apresenta diversas unidades amassadas, deterioradas e com sinais de decomposição.
Durante
a inspeção, foram observadas situações que merecem atenção por envolverem a
qualidade dos alimentos destinados à alimentação escolar e as condições de
armazenamento dos produtos que abastecem as escolas da rede municipal.
Foto 2 - Frutas em avançado estado de deterioração foram encontradas no estoque.
As
imagens registradas durante a visita mostram tomates com sinais visíveis
de deterioração, incluindo amassamentos, rompimentos da casca e áreas em
processo de apodrecimento. Alguns frutos apresentavam perda de consistência e
alterações incompatíveis com um produto recém-recebido.
Foto 3 - Fezes de pombo foram registradas sobre embalagens utilizadas para acondicionamento de alimentos.
Também
foram observadas maçãs com manchas escuras, lesões e sinais de
deterioração, indicando comprometimento da qualidade de parte dos alimentos
armazenados. Segundo informações prestadas pela responsável pelo depósito, os tomates
e as maçãs haviam sido entregues apenas um dia antes da visita. O estado
em que parte desses produtos foi encontrada chamou a atenção dos conselheiros,
uma vez que os danos observados já eram significativos.

Outro
fato registrado (ver fotos) foi a existência de resíduos compatíveis com fezes
de aves sobre embalagens de alimentos e sacos armazenadas no local. As imagens
mostram manchas e dejetos sobre caixas e embalagens utilizadas para
acondicionar gêneros alimentícios destinados à merenda escolar.
Além
dos vestígios encontrados, foi observada a presença de pombos nas
proximidades da área de armazenamento. A situação exige atenção porque essas
aves são reconhecidas por órgãos de saúde pública como potenciais transmissoras
de diversas zoonoses, ou seja, doenças que podem ser transmitidas dos animais
para os seres humanos.
Entre
as enfermidades associadas à contaminação por fezes de pombos está a
salmonelose, infecção bacteriana que pode causar febre, diarreia intensa,
vômitos, desidratação e fortes dores abdominais. Outra doença é a criptococose,
causada por fungos presentes nos dejetos das aves, que pode afetar os pulmões
e, em casos mais graves, atingir o sistema nervoso central, provocando
meningite.
Também
merece atenção a toxoplasmose, que pode ser transmitida por alimentos
contaminados e causar febre, dores musculares, problemas oculares e
complicações para pessoas com baixa imunidade. Já a ornitose, infecção
bacteriana transmitida por secreções e fezes de aves, pode provocar sintomas
semelhantes aos da gripe, evoluindo em alguns casos para pneumonia e
comprometimento respiratório.
Por
essa razão, especialistas e órgãos sanitários recomendam que alimentos expostos
ao contato direto com aves ou seus dejetos sejam descartados, uma vez que a
simples higienização nem sempre elimina totalmente os microrganismos capazes de
causar doenças.
As
fotografias produzidas durante a visita evidenciam três aspectos principais: a
presença de alimentos com sinais visíveis de deterioração, a existência de
resíduos compatíveis com dejetos de aves sobre embalagens armazenadas e a
necessidade de reforço das medidas de controle sanitário e proteção dos
estoques.
A
alimentação escolar é um direito dos estudantes e um dos pilares da política
pública educacional, contribuindo para a permanência dos alunos na escola, para
o desenvolvimento da aprendizagem e para a segurança alimentar de milhares de
crianças, adolescentes, jovens e adultos atendidos pela rede municipal.
Nesse
contexto, a atuação do Conselho de Alimentação Escolar é fundamental
para garantir o acompanhamento da qualidade dos alimentos adquiridos com
recursos públicos e das condições em que são armazenados antes de chegarem às
unidades escolares.
Os
registros realizados durante a visita deverão subsidiar os relatórios e
encaminhamentos do CAE aos órgãos competentes, com o objetivo de fortalecer os
procedimentos de controle, assegurar condições adequadas de armazenamento e
garantir que os alimentos destinados aos estudantes cheguem às escolas com a
qualidade e a segurança sanitária exigidas pela legislação.
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